Nascimento humanizado

Às vésperas de completar três meses desde que meu filho nasceu, consegui finalmente sentar com a cabeça mais organizada e escrever uma pequena fração do que senti desde o momento que o trabalho de parto começou.

Na realidade, o começo de tudo foi no dia em que descobri que estava grávida e desde lá nossa vida, apesar de não ter mudado tanto ainda, já sentia os reflexos de uma nova fase que estava prestar a começar a partir do dia que ele estivesse em nossos braços. Mas esses são devaneios de uma outra história ainda mais longa que não vou contar hoje.

O relógio batia 23h e eu estava me preparando para dormir depois de um dia lindo e também exaustivo, quando comecei com o primeiro desconforto. Apesar de perceber que era uma sensação diferente e levando em consideração as semanas em que eu estava, essa dor inicial é tão suave que é difícil ter certeza se é ou não a hora! Exatos 30min depois ela se repetiu e a partir daqui seguiram acontecendo de 3 em 3min de intervalo – sim, é isso mesmo! Cadê as pausas de 1h, 30min, 20min? Pois é, não tive. E isso não é nada incomum, desde a gestação comecei a enxergar melhor ainda que cada mulher gesta e vive esse momento do nascimento de uma maneira completamente diferente uma da outra.

Desde o começo da gestação minha decisão foi ter um parto humanizado, com uma médica que compartilhasse das mesmas ideias e com a assistência e apoio de uma Doula, de maneira que eu tomasse o controle do andamento do trabalho de parto, exceto, claro, em situações de emergências com necessidade exclusiva de um médico, como uma cesárea.

Ok, contrações acontecendo de 3 em 3min e nossa Doula já tinha vindo me encontrar junto com outra amiga que veio ajudar. Foi um verdadeiro encontro de mulheres que meu marido participou naquele dia!

O começo de tudo ainda é divertido e racional, mas a medida que as horas vão passando é complicado descrever o que realmente me passava pela cabeça, mas acho que era nada. Sim, NADA! Eu me entreguei completamente e vivi da forma mais genuína o trabalho de parto do meu filho. Foram horas de dores a cada 3min, mas também foram horas de um transbordar de amor infinito. Percebi que naquele momento ninguém me tirava de lá de onde eu estava e ninguém conseguia romper a conexão que acontecia ali. Eu estava em casa, no completo silêncio da madrugada, com pessoas que com muita delicadeza e sensibilidade me diziam apenas com olhar que estavam lá por mim e que eu não precisava me preocupar com mais nada naquele momento.

Para minha total surpresa, na metade da madrugada já era hora de ir para o hospital, isso significava que em poucas horas minha vida daria um grande salto rumo ao: “sabe-se lá o que for, mas eu tô dentro!” Então, coloca a roupa, pega a mala, comida para os gatos, – que, aliás, tiveram um grande papel no trabalho inicial me dando muito carinho – fecha tudo e me envia no banco de trás. Carro cheio, chuva e frio naquele dia marcaram a viagem mais insuportável da história. O que era dor vira agonia e desespero com as trepidações do carro.

Chegando no hospital, só fui entrando e não vi nada, mas cada um do carro foi para um lado resolver alguma situação antes de ir para sala de parto. Eu fui direto para sala de avaliação ver a quantas andava meu trabalho. “WOW! Você está parindo, mulher!” Tá, não foi bem assim que ela disse, mas foi isso que ela quis dizer. Cheguei com todos os cm para a triagem e me encaminharam direto para sala de parto, só faltava minha médica chegar. Mas no meio daquela loucura toda a médica do plantão resolveu fazer o parto porque, afinal, eu já estava pronta. Só que fazer o parto com essa outra profissional também significava abrir mão do que eu escolhi como parto, do que eu estudei e me preparei todos os meses anteriores, eu deitaria numa cama com as pernas para cima, meu corpo ficaria todo coberto por panos, uma luz muito forte ficaria direcionada para mim, além do bônus de ouvir os melhores sobre as melhores opções de compra de carros de 2017. E foi isso que aconteceu, o parto humanizado que eu esperava foi se perdendo a cada decisão que eu não tinha mais o controle, com cada tapume que era colocado, com cada “não pode” e nem mesmo minha Doula permitiram entrar.

É complicado colocar em um texto só questões como as de um parto, afinal, se todos fazem o bebê nascer qual diferença? Bem, para mim, toda. Fiz minhas escolhas baseadas no que eu acredito depois de estudar e ler muitos depoimentos sobre o tema. Quanto mais se busca conhecimento, mais se consegue tomar nossas decisões com convicção. Na hora do parto é impossível levantar e dizer: “Peraí! Eu não quero isso, porra!” Não existem forças ou mesmo cabeça para brigar por isso naquele momento. Meu filho ia nascer era o que importava.

Quando um corpo é projetado para fazer todo trabalho sozinho e então chega uma pessoa de fora sem empatia nenhuma com o universo feminino que se desenvolve no parto humanizado e começa a controlar quando ele deve ou não trabalhar, ele não faz sem que haja mais dor e mais força. Nesse momento eu senti uma dor tão forte e uma dificuldade imensa e PÁA! Não deu. Sem minha Doula e por pouco sem meu marido na sala, meu filho preferiu não nascer até que tudo estivesse como planejamos. A médica do plantão desistiu e chamou a pessoa que deveria fazer meu parto e em menos de 5min ela chegou e todo cenário mudou e a energia virou completamente outra.

Duas contrações deitada na maca sem sucesso na hora da expulsão e agora com apenas uma, mas em condições humanas ele veio ao mundo como um abraço. Antes mesmo de conseguir descer as escadas da cama, meu filho desceu suave sem mesmo esperar que eu me ajeitasse, foi em pé mesmo. Quando me dei conta tudo tinha acontecido e ele estava no meu colo olhando para mim e dizendo: “Fomos nós. Nós juntos”.

Esplendor. Essa é a palavra que define o momento que eu vivi. Acho que nada na minha vida supera esse dia. É uma mistura de tantas sensações e hormônios agindo para que absolutamente tudo saia como deve sair e da melhor maneira possível que torna essa experiência tão gloriosa.

Ainda me pego lembrando e tentando reviver aquele dia e me emociono sempre, não apenas porque foi parto do meu filho, mas porque é tão inexplicável quando esse parágrafo confuso. A sensação de mergulhar fundo e depois se libertar na chegada da margem de um mar imenso é realmente, pra mim, uma experiência iluminada, cheia de superação e renascimento.

E apesar de ter tido os primeiros minutos de trabalho da forma convencional hospitalar e ligeiramente agressiva não estragou tudo que eu estava vivendo até aquele momento, só me fez ter mais certeza das escolhas que eu fiz. O nascimento de um filho deve acontecer como uma mãe quer e se sente bem em fazer, seja ela normal, humanizado ou cesárea. Percebi na pele, depois de ler infinitos depoimentos dos mais variados começos e finais, que, no fim das contas, o mais importante é como a mãe está emocionalmente. É o quanto ela recebe de apoio e força para passar por tudo aquilo e sentir que, sim, ela consegue, mesmo parecendo que não vai ter como continuar com tantas dores e desconfortos, porque eles só aumentam, mas no final das contas, tudo sempre dá certo, mesmo se o parto não sair como o planejado.

IMG_1233

 

Anúncios

De olhos bem atentos

É realmente maravilhoso viver com certa qualidade de vida hoje em dia. Ter a chance de andar aliviada pelas ruas no fim das tardes e carregar o celular na mão enquanto atravessa a rua. Viver em uma cidade onde os pequenos mercados tem caderneta para anotar suas compras, porque afinal, ali não tem máquina de cartão e nem sempre você tem dinheiro no bolso.

Porém, as percepções mudam quando você descobre que sua vida não garante mais apenas a sua preservação, mas também a de outra pessoa. Segurança agora é mais do que cadeiras com cinto no banco de trás do carro. Vai além de portas e grades nas casas.  E, sem dúvida, absolutamente nada a ver com armas de fogo nas gavetas do armário. Segurança é sinônimo de proteção emocional. 

Hoje eu lia um texto, na verdade, um relato, sobre abuso infantil. Um tema recorrente que tem vindo à tona com mais coragem nas mídias sociais. Discutir sobre ele é conscientizar quem já é e quem será pai ou mãe de alguém que precisa de total e completo amparo emocional e, se for preciso, proteção física também.

É mesmo estranho pensar como aquela pessoa que frequenta sua casa com as melhores intenções possa estar envolvido de uma forma suja e doentia numa série de planos sexuais com seu(sua) filho(a). Sim, abusos atingem meninos e meninas de diferentes idades e com diversas formas de abordagem. O momento do abuso começa antes do toque físico, ele percorre todo campo de convivência da criança. Dos olhares, os primeiros diálogos maliciosos, até o contato físico.

Esse é o verdadeiro medo dentro de uma sociedade que muitas vezes não ouve suas próprias crianças gritando. Acontece que esse(essa) filho(a) vai vir até você, tentar – do jeito dele – contar o episódio terrível que acabou de viver e se ele não for ouvido ou simplesmente for repreendido pode gerar uma oportunidade para que haja novos eventos traumáticos que afetam diretamente a vida adulta.

Não conheci só um caso perto de mim. Nem dois, nem três. Cada história foi tão traumática quanto outra e diante de tantos olhos nada foi visto. Todas elas foram memórias esquecidas no subconsciente, mas que podem transbordar na vida adulta. Muitos adultos vivem uma série de relacionamentos tóxicos e atitudes auto-destrutivas, outros desencadeiam quadros psicológicos ainda mais sérios e perigosos em função dos abusos sofridos na infância.

O texto que li sobre relatava especificamente a relação entre a filha e a mãe diante do fato (ver texto aqui). Não foi o primeiro que li e infelizmente não vai ser o último. Não sei dizer o quanto é precisa estar atento para evitar que isso aconteça, o mundo é um grande reality show e todos nós estamos sendo observados o tempo todo (por escolha própria). Talvez como pais não seja possível evitar certos caminhos, mas certamente jamais negar os pequenos – ou explícitos – pedidos de ajuda e sinais dados pelos filhos.

000028

Como eu escolho viver?

Não acordei hoje com nenhum surto de vazio ou coberta por uma aura existencialista que me sacudiu e fez questionar o que quero para mim, simplesmente vivo assim desde que conheci o mundo com meus próprios olhos. Enxergar sozinho é quase sentir-se incapaz de fazê-lo. 

Hoje as pessoas fazem escolhas, repensam posições de trabalho e sociedade, contestam decisões, questionam acontecimentos. Quem vive precisa estar realmente acordado. Estar vivo despensa conhecimentos absolutos e palpites intelectuais sobre para onde vai a economia e qual lado político peçonha mais. Estar vivo requer basicamente conhecer para onde vou, quem eu sou e, mais importante, se quem eu sou e para onde vou são decididos apenas por mim. Parece simples e óbvio, mas não é. Enquanto passa uma onda de ideias geniais e modos de vida inspiradoras, também esbarram na timeline – online e/ou da vida real – informações miseráveis sobre como verdades precisam ser criticadas o tempo todo.

Verdade: aquilo que se é genuinamente; caminho escolhido para seguir; estilo de vida; sonho; trabalho realizador. Não refere-se apenas a uma opinião, mas o que torna feliz e completo.

O conjunto de informações muitas vezes ofusca a qualidade da conexão entre o que há lá fora e o que vive aqui dentro. É, muitas vezes, difícil deixar transbordar a essência quando tudo em volta gira no mesmo sentido ano após ano. Por isso, as pessoas mais inspiradoras foram as que giraram para o lado contrário, as que foram em linha reta, ficaram paradas, foram para cima ou para baixo. Na direção comum é sempre mais fácil, mais despercebido. Não é para entrar em destaque que se muda o jogo, é para respirar aliviado e confiante com quem se é.

dsc_1385-copy

Construção sustentável – Steel Frame

Apesar de já utilizada desde meados dos anos 40 nos Estados Unidos e Japão, aqui no Brasil o sistema steel frame só chegou na década de 90. Além de ser uma construção rápida [quando digo rápida é rápida mesmo!], é seca e pouco residual. Como não utiliza tijolos ou cimento a base estrutural é aço galvanizado, um material 100% reciclável.

As estruturas de aço formam um esqueleto e sobre esse esqueleto são parafusadas placas cimentícias para o fechamento externo e placas de gesso acartonado para revestimento interno, garantindo um desempenho maior de isolamentos térmico e acústico. A aparência final se semelhante às construções tradicionais de alta qualidade, mas com a vantagem de ser uma obra sustentável já que economiza água e energia na execução, utiliza materiais recicláveis e mantém um volume baixo de resíduos que são recolhidos pela própria empresa ao final da obra.

httpwww-espacosmart-com-br
Foto: espaçosmart.com.br

Os valores são semelhantes aos da alvenaria, por isso ainda muita gente é resistente e pouco conhece sobre o sistema. Mas mesmo com custos aparentemente próximos, as vantagens acabam tornando o processo com os melhores benefícios: uma obra com 1/3 do tempo de execução comparado ao da alvenaria, fundação muito mais simples podendo reduzir custos em até 75% e previsão de gastos.

dsc_1204

dsc_1209

dsc_1212

dsc_1214

dsc_1219

dsc_1228

dsc_1232

Aqui em casa tivemos nossa própria experiência com steel frame. E esse (foto abaixo) foi o nosso projeto com a estrutura finalizada. Ainda falta os acabamentos externos, pintura e mais alguns detalhes que ainda vamos decidir com calma, mas sem dúvida foi a melhor forma de construção que já acompanhamos. Pouco barulho, nosso gramado segue igual, as árvores que eram muito próximas do projeto nem sequer atrapalharam na hora da execução. Sem imprevistos, sem custos surpresa, organização, limpeza, velocidade. No total a fundação levou cerca de 4 dias e a montagem das estruturas de 3-5 dias.

Tijolos e seus excedentes já estão fora de cogitação por aqui! Se é possível escolher uma forma de levantar paredes que garanta um menor impacto ambiental e um mais conforto para quem contrata, não restam mais dúvidas, a não ser o porquê demorou tanto para chegar aqui! D:

untitled_panorama2
Projeto arquitetônico: muta.arq.br

 

Jardim vertical

Normalmente as pessoas costumam deixar os chás em vasos altos e os legumes no chão, mas eu resolvi trocar. Coloquei todos os temperos e chás numa horta no chão e planejei um espaço vertical, na parede, para os legumes e folhas. As lagartas demoram mais para chegar nos andares de cima e quando elas chegam é mais fácil de enxergar.

As madeiras de apoio fixadas na parede já estavam lá, o que foi preciso fazer foram as prateleiras, peças muito simples, mas que no mercado um produto desses custa um valor absurdo levando em consideração que são feitas de sobras. 😦

Madeira é um material nobre, é preciso levar em consideração outros usos antes de pensar em colocá-la no lixo. Ela modifica e só fica mais charmosa com os anos e furos. Hoje em dia, peças descartadas recebem um tratamento impermeabilizante e depois são transformadas em um novo móvel. O preço que se paga por um mobiliário de demolição pode ser considerável em alguns lugares, em compensação, outros já trabalham com valores mais justos.

dsc_1096

dsc_1098

Como na maioria das casas, o corredor, a garagem ou no fundo do pátio tem sempre aquela reserva, amontoado, pilha, caixa ou o que for cheia de restos de madeira que se guarda para: fazer lenha [para quando um dia comprar a lareira], porque um dia vai ser útil, porque quero montar um portão de madeira um dia ou porque tenho pena de colocar fora. Seja lá qual for o motivo, quem sabe 2017 seja o ano de fazer algum projeto com elas!

Para essas prateleiras, qualquer pedaço de madeira serve. A forma e comprimento é completamente pessoal e funcional para o jardim de cada um. Para o meu, preferi uma peça mais longa para os vasos maiores.

Jardim não tem mistério ou receita, existem mil dicas ótimas por ai e todas dependem mais das possibilidades e tempo de cada um. Além disso, pouco espaço também não é problema, não impede a produção de vários tipos de vegetais, temperos e etc. Tem pessoas que fazem uma verdadeira área verde numa sacada de 100x80cm. A verdade é que se trata mais é de disposição e paciência!

dsc_1105

dsc_1137

dsc_1140

dsc_1142

dsc_1144

Projeto I

dsc_1148

Dos resgates de 2016, trazer a cerâmica de volta para minha rotina foi um deles. Para uns, um comércio conhecido pelas louças de porcelana bem inserido no mercado de itens para casa, para outros um caminho artesanal para produção de diversos artigos, mas para algumas pessoas, independente do tipo de projeto, seja ele artístico, decoração ou utilitários, é a necessidade e prazer de criar com o barro. Mais do que produzir para vender, é construir para se identificar. Criar peças com identidade e com capacidade de comunicação sentimental com quem olha.

OK, Donald A. Norman já falou sobre isso no livro Emotional Design (2004), no qual define bem elementos que repelem ou despertam interesse em um determinado produto. Mas me refiro a um conceito ainda menos design e mercadológico e mais visceral de um trabalho de arte.

Inspirações não faltam, nacionais e internacionais, cada um com seu tom e personalidade. A argila carrega com ela uma falta de homogeneidade e assim, transforma cada peça em única mesmo se a ideia foi replicar várias. Isso, claro, referindo-se aos trabalhos e construções completamente manuais.

Trabalhar com cerâmica é conhecer o material e seu próprio método de trabalho. Experimentação é a única regra certa, o resto é tentativas e erro. Paciência, muita paciência e persistência também fazem parte do trabalho. Peças que desmancham, furam, racham, quebram e nisso às vezes é perdido o projeto de uma semana inteira. Tem que recomeçar!

dsc_1156

dsc_1153

~ Os primeiros testes ~

No começo de cada trabalho eu nunca sei ao certo como vai terminar, não penso na forma ou o que vai ser, ainda mais se tratando de esculturas livres. No entanto, essa peça das fotos eu já tinha certeza do que seria, vi em um sonho, não sei bem se era feito de argila, mas eu queria de barro.

No encontro semanal com os colegas artesãos, já cheguei com a ideia na cabeça e comecei o mais rápido possível, quando se mexe na argila o tempo passa muito depressa, rapidamente passam 3 horas. O meu processo de início é sempre o mesmo, uma bola de barro formada por pequenos pedacinhos para evitar ao máximo as bolhas de ar. O começo do molde é lento, tira, coloca, aperta de menos ou demais. Pronto! Segunda parte precisa esperar perder um pouco de umidade. Acabamentos iniciais e hora de ocar. O momento de tirar todo excesso de massa de dentro é sempre um momento delicado e, para uma iniciante, de medo.

Com a escultura pronta, fui animadíssima procurar o que eu tinha de tintas para começar o revestimento da peça. Mesmo sem tintas ideais e ideias de como pintar, deixei o trabalho me dizer quem ele era e como eu devia mostrar isso. Deu certo. Uns ajustes aqui e ali e acabou melhor do que eu imaginava. Um incentivo e tanto para fazer os próximos.

dsc_1161dsc_1171

dsc_1173

~ O forno ~

No decorrer do ano, meu maior dilema foi pensa e repensar o tipo de forno que eu usaria. A diversidade de fornos alternativos é incrível, claro, nem todas possíveis quando se mora numa parte da cidade bem residencial. Mas é possível fazer com investimento baixíssimo ou até zero. Como não posso me dar ao luxo de fazer um bem simples com fogo, optei por construir um elétrico. O mercado tem inúmeras marcas e diferentes formatos de produtos prontos e altamente seguros para executar os processo, mas claro que isso também quer dizer um investimento mais alto. Também não é preciso apostar em um equipamento novo para ter bons resultados e muitos anos de uso, aliás, principalmente por causa dos preços, a maioria das pessoas opta pelos fornos usados que custam metade ou menos do valor de um novo.

O trabalho com cerâmica pode ou não ser um alto investimento, isso é uma questão unicamente de escolha e preferência de cada pessoa. Tanto os materiais de trabalho, quando as ferramentas e formas de queima podem ser encontrados de maneiras alternativas e, exceto o barro, todas podem ser desenvolvidas em casa. Então, não é preciso desistir quando as opções estão difíceis, se ainda é complicado construir peças, outra maneira é alugar fornos em ateliers de outros artistas. ❤

dsc_1181

dsc_1186

Um último suspiro para 2016

Em suas plenas quatro últimas semanas e 2016 insiste em continuar surpreendendo! Esse ano, para mim, foi dividido em dois extremos: havia tudo e havia nada, ambos ocupavam o mesmo espaço e dividiam propósitos semelhantes. Como pode um barulho absolutamente sem som causar tanta perturbação. 

É, 2016, de tanto me inquietar eu me movimentei e de tanto me movimentar eu encontrei. Às vésperas das árvores e bolas coloridas de natal começarem a encher a cidade daquela sensação de que nada de ruim acontece agora, me mobilizei com uma reforma  [interna] daquelas.

Foi assim:

Iniciei o ano mudando de casa. Saí de uma vida e fui para outra completamente diferente. Me dei a oportunidade de ficar aqui e quieta. De me manter lenta e introspectiva para poder entender o ano que eu estava entrando. Despertei. Acordei de um sono trevoso. E assim, terminei projetos, fechei portas, cancelei cartões e mudei de rumo. Conheci e reconheci pessoas. Repensei tantas vezes e ainda sim achei que estivesse errada, mas infelizmente estava certa. Revirei o baú. Resgatei memórias. Assumi riscos. Me surpreendi.

Pessoas que se foram deram lugar para as que nasceram. Famílias pequenas se tornaram maiores. A divisão da célula. A partilha do corpo e da alma. Uma lousa em branco ansiosa pelos primeiros rabiscos. A casa que ficou menor. O sonho maior.

Mudou. Eu vi assim. Há quem tenha visto e vivido de outro jeito. Talvez melhor, talvez pior ou só diferente.

000019