De olhos bem atentos

É realmente maravilhoso viver com certa qualidade de vida hoje em dia. Ter a chance de andar aliviada pelas ruas no fim das tardes e carregar o celular na mão enquanto atravessa a rua. Viver em uma cidade onde os pequenos mercados tem caderneta para anotar suas compras, porque afinal, ali não tem máquina de cartão e nem sempre você tem dinheiro no bolso.

Porém, as percepções mudam quando você descobre que sua vida não garante mais apenas a sua preservação, mas também a de outra pessoa. Segurança agora é mais do que cadeiras com cinto no banco de trás do carro. Vai além de portas e grades nas casas.  E, sem dúvida, absolutamente nada a ver com armas de fogo nas gavetas do armário. Segurança é sinônimo de proteção emocional. 

Hoje eu lia um texto, na verdade, um relato, sobre abuso infantil. Um tema recorrente que tem vindo à tona com mais coragem nas mídias sociais. Discutir sobre ele é conscientizar quem já é e quem será pai ou mãe de alguém que precisa de total e completo amparo emocional e, se for preciso, proteção física também.

É mesmo estranho pensar como aquela pessoa que frequenta sua casa com as melhores intenções possa estar envolvido de uma forma suja e doentia numa série de planos sexuais com seu(sua) filho(a). Sim, abusos atingem meninos e meninas de diferentes idades e com diversas formas de abordagem. O momento do abuso começa antes do toque físico, ele percorre todo campo de convivência da criança. Dos olhares, os primeiros diálogos maliciosos, até o contato físico.

Esse é o verdadeiro medo dentro de uma sociedade que muitas vezes não ouve suas próprias crianças gritando. Acontece que esse(essa) filho(a) vai vir até você, tentar – do jeito dele – contar o episódio terrível que acabou de viver e se ele não for ouvido ou simplesmente for repreendido pode gerar uma oportunidade para que haja novos eventos traumáticos que afetam diretamente a vida adulta.

Não conheci só um caso perto de mim. Nem dois, nem três. Cada história foi tão traumática quanto outra e diante de tantos olhos nada foi visto. Todas elas foram memórias esquecidas no subconsciente, mas que podem transbordar na vida adulta. Muitos adultos vivem uma série de relacionamentos tóxicos e atitudes auto-destrutivas, outros desencadeiam quadros psicológicos ainda mais sérios e perigosos em função dos abusos sofridos na infância.

O texto que li sobre relatava especificamente a relação entre a filha e a mãe diante do fato (ver texto aqui). Não foi o primeiro que li e infelizmente não vai ser o último. Não sei dizer o quanto é precisa estar atento para evitar que isso aconteça, o mundo é um grande reality show e todos nós estamos sendo observados o tempo todo (por escolha própria). Talvez como pais não seja possível evitar certos caminhos, mas certamente jamais negar os pequenos – ou explícitos – pedidos de ajuda e sinais dados pelos filhos.

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2 comentários sobre “De olhos bem atentos

    1. Pois é, parece que nunca vai acontecer tão perto e quando vê tá dentro de casa. É preciso mesmo abrir os olhos. Que bom que foi boa leitura pra ti.

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